Placa de gesso laminado e proteção passiva contra incêndios

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Quando um incêndio começa, os primeiros minutos são os que salvam vidas. A placa de gesso laminado é, há décadas, um dos materiais mais fiáveis. Aqui explicamos porquê, como e quando utilizá-la corretamente.

 

Construção residencial e industrial

 

A proteção passiva não faz barulho. Está simplesmente lá, integrada nas paredes, nos tetos e nos pisos, a fazer o seu trabalho em silêncio até que um incêndio a ponha à prova.

Para quem trabalha na construção civil, compreender como funciona a proteção passiva é vital. A placa de gesso laminado (PYL) é um dos materiais mais versáteis, económicos e eficazes que existem

 

 

O que é a proteção passiva contra incêndios?

A proteção contra incêndios atua antes e durante um incêndio: retarda a propagação do fogo, mantém a estrutura de pé durante tempo suficiente para a evacuação e limita a passagem de fumos tóxicos entre as diferentes zonas do edifício.

 

Por que razão a placa de gesso laminado é tão eficaz?

 

O gesso tem uma propriedade que o torna útil contra o fogo: contém água química na sua estrutura molecular que, quando exposta a altas temperaturas, evapora gradualmente, absorvendo calor e retardando a transmissão da temperatura.

Este processo denomina-se desidratação cálcica e é o principal mecanismo pelo qual o gesso resiste com uma degradação muito mais lenta e previsível.

A isto acresce o facto de as placas do tipo F incorporarem fibras de vidro que mantêm a integridade física da placa, mesmo quando o gesso já se desidratou.

 

Tipos de placas para proteção passiva

 

Nem todas as placas de gesso laminado têm o mesmo desempenho em caso de incêndio. Existem variantes específicas concebidas para diferentes níveis de exigência:

  • Tipo F: Placa corta-fogo padrão:  Reforçada com fibra de vidro de fio curto. Cor cinzenta rosada. A mais comum em divisórias e revestimentos de uso residencial e industrial ligeiro.  EI 60 – EI 120 típico
  • Tipo PPF / Fireboard:  Alto desempenho face ao fogo: Para estruturas metálicas e compartimentações de alta exigência. Maior densidade e espessura. Sistemas multicamadas para R 120 e R 180. – Até R 180 em sistemas
  • Tipo A1 / Incombustível:  Reação ao fogo A1: Classificação Euroclasse A1. Incombustível. Para zonas onde a normativa exige materiais de primeira classe de reação ao fogo.

 

Aplicações mais comuns em obras

 

  • Sectorização e compartimentação

Um dos princípios básicos da proteção passiva consiste em dividir o edifício em setores de incêndio que limitem a propagação do fogo. As divisórias de PYL com classificação EI (estanqueidade e isolamento) são a solução mais utilizada para criar estas barreiras em habitações, escritórios e armazéns industriais.

  • Proteção de estruturas metálicas

O aço é um material que começa a perder resistência mecânica a partir dos 300 °C e pode atingir a temperatura crítica em apenas 30 ou 40 minutos após o início de um incêndio. O revestimento com placas PPF cria uma camada protetora em torno de vigas e pilares que retarda esse aquecimento, mantendo a estrutura de pé durante o tempo necessário para a evacuação.

  • Tetos técnicos e falsos tetos

Os tetos suspensos com placas de gesso laminado não só conferem valor estético: contribuem para a resistência ao fogo da laje superior, atuando como uma barreira adicional que retarda a transmissão de calor entre pisos.

  • Revestimentos e vedação de instalações

As aberturas de passagem de instalações (canalização, eletricidade, climatização) são pontos fracos numa compartimentação. O revestimento com PYL e a vedação adequada das perfurações com produtos intumescentes são essenciais para manter a integridade do compartimento de incêndio.

 

Como instalar corretamente: pontos críticos

 

Uma placa com excelentes características técnicas pode revelar-se ineficaz se a instalação não respeitar os detalhes que garantem a continuidade da compartimentação. Estes são os pontos que mais falhas geram na obra:

  • Continuidade nas junções. A resistência ao fogo de uma divisória é comprometida se as junções com lajes, fachadas ou outras divisórias não estiverem devidamente vedadas. É fundamental a utilização de fita acústica e a junta perimetral executada com pasta de acabamento.
  • Vedação de perfurações. Cada orifício praticado para a passagem de tubagens, cabos ou condutas deve ser vedado com produtos intumescentes ou corta-fogo certificados. A omissão deste ponto invalida a classificação EI do conjunto.
  • Número correto de camadas. Os sistemas multicamadas (por exemplo, para proteção de estruturas metálicas R 120 ou R 180) devem ser instalados respeitando o número de camadas, as espessuras e a espessura total indicadas no ensaio do fabricante. Reduzir uma camada pode comprometer várias dezenas de minutos de resistência.
  • Parafusos e perfis adequados. Os perfis metálicos, os parafusos e as distâncias entre os montantes fazem parte do sistema testado. Substituir um componente por outro não certificado equivale a utilizar um sistema não testado.
  • Documentação do sistema. Para a inspeção técnica final e para o processo de obra, é necessário conservar a documentação técnica do sistema utilizado: ficha técnica, classificação de ensaio e, se aplicável, a ETA ou DIT do fabricante.

 

O nosso conselho profissional:

Antes de iniciar qualquer projeto, consulte os nossos técnicos especializados. Ajudá-lo-emos a escolher o sistema mais eficiente e seguro para a sua obra, cumprindo os requisitos específicos para cada tipo de elemento construtivo.

 

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